Raul Seixas - O capital político que capitalistas e comunistas disputam
RAUL SEIXAS
O Capital Político que capitalistas e comunistas disputam
Toninho Buda – 21 de agosto de 2020
ATENÇÃO: ESTE ASSUNTO NÃO FAZ PARTE DA NOSSA LIVE DE HOJE NO “BOTECO DO CALANGO”, NO YOUTUBE, ÀS 20h. Hoje é aniversário de 31 anos da morte de Raul Seixas. Como sua proposta política era a Sociedade Alternativa e teremos em breve novas eleições, relembro algumas histórias suas com políticos, começando com seu espancamento num show em Caieiras, no interior de São Paulo, no dia 15 de maio de 1982. Este show fazia parte da Feira do Folclore, promovida pelo prefeito de direita Gino Dártera. Precisando trabalhar, Raul estava topando cantar até em quermesse do interior e foi pra lá sem nenhuma proteção. Com pouco público, o show atrasou muito, porque não havia dinheiro para pagar a ele e à banda. Havia grande interesse da oposição, que era de esquerda, que o evento fosse o maior fracasso possível e seus membros espalharam o boato de que aquele não era Raul Seixas. Ele foi preso e espancado pela polícia como um bandido qualquer, levando tapas na cara, socos e pontapés, para delírio dos fofoqueiros. Este fato já tem quase 40 anos e a esquerda nunca mais ganhou eleições em Caieiras.
No entanto, esses militantes sempre debocharam do Raul. Existe até um grupo caricato formado por “Raul Che Guevara”, “Raul Fidel Castro”, “Raul Foice & Martelo” e a “Mosca na Sopa Universitária”, sempre presentes onde quer que se fale o nome do roqueiro. Fazem shows, pichações, livros, teses e documentários “ressignificando”, ou seja, inventando tudo que podem sobre a vida dele. Há 10 meses, dia 1/11/2019, tentaram linchá-lo novamente, com o lançamento do livro “Não diga que a canção está perdida”, de Jotabê Medeiros em cumplicidade com Paulo Coelho, contendo pelo menos 3 novas calúnias: a de que “Raul teria entregue Paulo à ditadura militar”, era “homofóbico” e “seu corpo tinha sido exumado do cemitério em Salvador”. O próprio Paulo Coelho, que é garoto-propaganda de Lula, acabou confessando que Jotabê “só queria vender a porra do livro” (sic).
Tudo começou nos anos 1960, em Salvador, quando Raul se encantou com o Rock’n’Roll vindo dos Estados Unidos e já detestava a ideologia, o comportamento e tudo que representasse a esquerda política e universitária de Caetano Veloso e Gilberto Gil, com aquele dengo da bossa nova, MPB e Tropicália. O rock libertário, viril e independente, nunca teve nada a ver com essa ditadura violenta disfarçada de “pacifismo”, que adora generais genocidas como Stalin, Fidel, Guevara, Maduro e Xi Jimping, mas diz “defender os pobres e oprimidos”. Até hoje, fiéis a estas ideologias, os criadores da “marcha contra a guitarra elétrica”, Caetano Veloso e Gilberto Gil, estão apoiando o comandante das tropas Sem Terra do PSOL, Guilherme Boulos, para a Prefeitura de São Paulo. E o capital político representado pelos fãs de Raul Seixas é muito importante para eles nesta campanha.
O PSOL invadiu a fazenda da Sociedade Alternativa há 15 anos, por via jurídica. Seu deputado Carlos Giannazi “criou” o “Dia de Raul Seixas” em São Paulo, através de um projeto de lei em 2006, 17 anos depois da morte do artista. O que até então tinha sido um movimento independente foi registrado, selado e carimbado por eles, que passaram a controlar os palcos desses eventos. Há 2 meses, perto do aniversário de nascimento do Raul, esse mesmo Giannazi, numa “live” mal organizada, perguntou ao Carlos Eládio, parceiro de Raul na infância: - “Qual foi a influência do tropicalismo de Caetano e Gil na vida e obra de Raul Seixas?”. Eládio respondeu: - “INFLUÊNCIA NENHUMA! HAVIA UMA DISCRIMINAÇÃO ENORME! Nós éramos completamente afastados do Tropicalismo! Eles chamavam Raul de ‘maluco e reacionário’ e tinham HORROR AO ROCK!”. Desconcertado, Giannazi, que queria “colar” Raul a Caetano e Gil na sua campanha, alegou uma desculpa qualquer e foi embora rápido, porque o importante agora é articular a quadrilha para tomar as chaves dos cofres de São Paulo e outras cidades, daqui a três meses.
Comunistas e capitalistas (chamados por Raul de “Ali Babá e os 40 ladrões”) vendem a marca “Raul Seixas” através de Shows, medalhas de ouro, roupas, livros, filmes, chaveiros e campanhas políticas. As gravadoras sempre saquearam a maior parte de seus direitos autorais. Universitários gerenciam uma indústria de teses e dissertações, financiadas com dinheiro público, para formar militância e associá-lo às ideologias de esquerda. Pessoas que possuem objetos que lhe pertenceram relatam invasões em suas residências para furtar essas relíquias. A lápide de seu túmulo em Salvador já foi roubada várias vezes. É um cardume de piranhas se entredevorando. Mas o próprio Raul era despojado e dava suas coisas para qualquer um. Era incapaz de lidar bem com dinheiro, morreu esquecido e solitário, mas sempre falou de Liberdade, Força e Vontade. Nunca aceitou tutela de quem quer que fosse, a começar de Deus, seus representantes e até gurus de sociedades secretas. Sua Sociedade Alternativa, focada no indivíduo, elimina o Estado e seus ditadores. E cantou: “Se você acha o que eu digo FASCISTA, mista, simplista ou ANTI-SOCIALISTA, eu admito: VOCÊ TÁ NA PISTA! Eu sou ista, eu sou ego, eu sou EGOÍSTA! Onde eu estou NÃO HÁ SOMBRA DE DEUS”.

Não consegui ler o post. A tela está escura. Ver este lance aí. Saudações libertárias e raulseixistas!
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